Período Zhou


Bronze da Época Zhou


A época Zhou é conhecida por uma terminologia variada: ela já foi chamada de Idade dos principados, Época Feudal chinesa e Primeiro Grande Império. Analisemos cada uma dessas visões.

O termo Idade dos Principados remete-se à política da casa de Zhou de distribuição de terras e títulos nobiliárquicos para os aliados e servidores fiéis. Desta forma, era possível dentro do “Império Zhou” a existência de reinos quase autônomos, que guerreavam entre si sob o arbítrio da casa imperial. Esta denominação parece ser adequada, portanto, ao contexto da época final dos Zhou, mas não sabemos se vale para os períodos iniciais, onde não existiria uma fragmentação política tão grande.

Já o termo Feudalismo Chinês é uma sobreposição do equivalente lingüístico ocidental ao sistema político e econômico implementado pelos Zhou, que incluía relações de vassalagem e uma hierarquia social baseada em títulos e funções sociais. No entanto, este termo também é criticado pela sua especificidade, que não parece ser plenamente aplicável ao caso chinês, tendo em vista as diferenças que caracterizam as instituições constituintes do poder no modelo Zhou (Gernet, 1979:58).

A idéia de primeiro grande Império é uma sobrevivência das interpretações clássicas confucionistas sobre a História Antiga. Vemos que os chineses tinham a tendência de articular os períodos passados numa única linha cronológica e espacial, sem observar suas variações étnicas e materiais. No entanto, a preocupação dos mesmos era explicar os momentos contemporâneos de suas vidas, para os quais as alterações nas estruturas históricas passadas nada significavam, portanto, se fossem desprovidas de um sentido simbólico. Assim, o fato dos Zhou representarem uma casa monárquica que intermediava a ação política dentro da China Antiga e que haviam inaugurado o Mandato do Céu como instituição, por si só bastava aos classicistas para denomina-lo como Império. Na verdade, temos que considerar que o que chamamos realmente de Imperium Chinês (ou seja, a partir dos Qin), é, também, uma construção da nossa historiografia. O que é para nós uma radical mudança no sistema político antigo, através dos Qin, que caracterizaria o processo de unificação e construção de uma nova estrutura administrativa e cultural era (e ainda é, para alguns chineses) apenas uma mudança na continuidade histórica. E devemos lembrar ainda que o termo Império é de origem Latina: até existem alguns equivalentes homeomórficos na língua chinesa, mas nenhum deles preciso. Assim, é difícil pensar em como podemos associar a terminologia Imperium ao caso chinês. No entanto, a contestação que se faz desta linha historiográfica é que ela tende a não observar as rupturas e transformações históricas de forma significativa, tendendo a um imobilismo cultural e ideológico. Ela não observa também as modificações institucionais que asseguram uma nova perspectiva social e política ao longo da História chinesa. Logo, podemos afirmar com segurança que este terceiro ponto de vista é uma reprodução direta do imaginário antigo, que criou uma cronologia única e articulada, mas que não é pertinente com as transformações que ocorreram no plano material e institucional.

Vemos assim que a utilização destas três terminologias não é, por conseguinte, totalmente conflitante ou impossível, mas exige cuidado e especificidade nos casos de análise.

A História dos Zhou, segundo uma tradição ainda aceita (de acordo como o Shu Jing e com o Shi Ji) começa com a derrocada dos Shang em torno dos séculos XI-X a.C. Os grupos étnicos que comporiam os Zhou teriam uma ascendência próxima dos Shang-Yin (manifesta pelos estilos artísticos e pela escrita), mas habitavam fora do território “imperial”, e viviam em contato direto com os “bárbaros”. De tradição militarista (embora seus costumes sociais e fúnebres fossem muito menos cruéis que os dos Shang), os Zhou promoveram uma invasão do território conduzidos por um rei chamado Wen, que tinha por objetivo findar com a sucessão de terríveis déspotas Yin que afligiam a sociedade. Após uma grande batalha, os Zhou derrubam os antigos soberanos e assumem o poder. Depois disso, o rei Wen é sucedido por Wu, cujas realizações consolidam a posição da nova dinastia. No entanto, ainda ocorreriam rebeliões e conflitos que só seriam resolvidos, após algum tempo, pelo Duque Zhou (Zhougong).

Estas três figuras são fundamentais tanto na antiga história chinesa quanto na própria Sinologia moderna. Os reis Wen e Wu, tanto quanto o Duque Zhou, eram considerados modelos de virtude e sabedoria dentro do pensamento chinês. A eles foi atribuída, por Confúcio, a primeira redação do I Jing (Wilhelm, 1988:3-13). Se a existência verídica destes personagens procede, isso parece já não ser tão importante, tendo em vista o que foi realizado em nome dos mesmos.

Partindo do século XI-X, o tempo dos Zhou é dividido em períodos distintos: o primeiro, que iria de 1027 - 700 a.C. seria os dos Zhou anteriores, também chamados de ocidentais ou primitivos. Esta divisão é marcada pela transferência da capital para a cidade de Chengzhou e pela modificação de alguns parâmetros culturais e artísticos. A data aproximada de 770 a.C. marcaria o auge desta dinastia, que depois iria declinar em função da desestruturação interna e dos conflitos com os bárbaros.

O segundo período, dos Zhou posteriores, ou ainda orientais e recentes, é marcado pela decadência política, mas se constitui numa época fértil para o pensamento e para ciência chinesa. Ele estaria datado de 771 a 221 a.C., quando da vitória dos Qin e a unificação chinesa. Está subdividido em duas partes: a primeira, que vai de 771-481 a.C. é chamada, como já citado anteriormente, de Primaveras e Outonos (presentes nas narrativas do Chun Qiu e do Zhuo Quan), quando se inicia o período dos Estados Combatentes (Zhang Guo), que vai até 481-221 a.C. Os chineses opunham os dois períodos demonstrando claramente a perspectiva de conflito e corrupção do poder e da sociedade que se estabeleceram a partir dos séculos VII-VI a.C. No VI-V a.C. é interpolado o período denominado Época das Cem Escolas, (já citado) que marca o alvorecer dos sistemas clássicos de pensamento chinês (Chan, 1979).

Há uma linha ainda que prefere definir a cronologia Zhou pelos seus estilos artísticos, separando-a em três: Zhou Inicial (1027-900), Zhou Médio (900-650) e Zhou Final (650-221) (Pinschel, 1963: 7-21). Segunda esta concepção, bastante funcional para o estudo da arte, o primeiro período corresponde ao de assimilação das antigas formas Shang; o segundo, de fusão artística entre os dois estilos e o terceiro, de multiplicidade, ligado à separação dos reinos. É, no entanto, um modelo artificialmente criado, e apenas metodologicamente funcional.

A análise histórica e arqueológica demonstra que houve uma expansão territorial e econômica das atividades Zhou no primeiro período. É o período de construção de uma nova cultura, conjugando elementos próprios com os dos antigos Shang - Yin. A organização política se desdobra, nalguns aspectos, em torno das antigas relações arcaicas dos Shang: os soberanos são responsáveis não só pela administração pública quanto pelo espiritual e militar na comunidade. Há uma inovação, porém, fundamental para a nova estrutura monárquica: a divisão em reinos e feudos do território, ligados por relações de vassalagem à casa de Zhou. Decorrente disso há também a formação de um corpo regular de assistentes burocráticos e funcionários no qual se confundem cidadãos livres e escravos. No entanto, se a autoridade moral é a base do novo poder monárquico, o que se veria seria uma degradação da capacidade de influência dos governantes em relação aos principados. A situação foi estável até o recrudescimento das invasões bárbaras no norte (VII a.C.), que puseram em dúvida, diante da sociedade, o mandato celeste em mãos dos Zhou.


Vaso Zhou com inscrições - um dos mais antigos exemplares de escrita

As escolas e suas idéias
A percepção de um conflito eminente foi atentada pelo surgimento de inúmeras escolas filosóficas que compõem o período das Cem Escolas. Surgidas basicamente no século VI a.C., o conteúdo destas escolas baseava-se na proposta de uma série de pensadores sobre os meios de recuperação da antiga dignidade Zhou, ou ainda, de reformulação social. A ordenação e a separação destes grupos de pensamento foi feita de forma didática no período dos Han, mas é provável que nos séculos VI-IV elas ainda se vissem mais vinculadas aos seus mestres do que propriamente a uma idéia de “escola” (Jopert, 1979:88-142). A organização clássica dessas escolas é a seguinte: Ru jia, ou escola dos letrados, mais especificamente os confucionistas, seguidores da linha de Confúcio, Mêncio e Xunzi; moístas, de Mozi; taoístas, da linha de Laozi, Liezi e Zhuangzi, escolas dos nomes, de Huizi; a escola das leis, de ShangYang, Han Fei e Lisi; e ainda, a escola dos políticos, dos ecléticos, do Yin-Yang, dos Cinco elementos e da Agricultura. Estas teriam sido as mais importantes do período, havendo outras de caráter secundário. Um ligeiro quadro fornece-nos idéias básicas sobre as propostas morais destas escolas;

Taoístas: movidos pelos escritos de um suposto sábio chamado Laozi, construíram uma doutrina filosófica que defendia a compreensão do Tao como a única forma dos homens viverem em harmonia e retornarem a natureza primordial. Tao aí entende-se por um conceito abrangente cujas traduções aproximadas podem significar de “caminho” até “natureza”, ou mesmo “cosmos”. As diversas especulações sobre a não-ação, sobre a realidade do homem em relação ao meio e sua consciência sobre a vida inauguraram uma nova perspectiva de discussão filosófica na China. Mas os dois taoístas que popularizaram a doutrina foram Zhuangzi e Liezi, que transformaram em histórias e contos a teoria obscura do Tao escrita no Daodejing. O taoísmo desde cedo, porém, se aglutinou com as práticas mágicas, alquímicas e xamânicas, perdendo grande parte do seu conteúdo filosófico e transformando-se numa religião. De certa forma identificamos esse processo com a tendência latente de ritualização presente na cultura chinesa.

Confucionismo: diferente dos taoístas, Kongzi (Confúcio) preocupou-se desde o inicio em empreender uma volta ao passado imperial Zhou, e não propriamente com uma perspectiva naturalista como a taoísta. Ele acreditava no poder da educação para retificar a conduta do homem, e sua proposta extremamente pragmática indicava um caminho acessível à todos para o reerguimento social. Kongzi não deixava por isso de trabalhar também com valores metafísicos, mas seu entendimento sobre a realidade humana mostrava uma lucidez incrível, e por estes motivos suas proposições não podiam deixar de considerar a dificuldade em realizar o trabalho de instruir a sociedade. Assim sendo, a escola confucionista estimulava seus discípulos a participarem da vida pública e da burocracia para que estes pudessem efetivar mudanças sociais salutares. A data clássica de vida de Kongzi foi de 551-479 a.C., e os dois grandes confucionistas posteriores foram Mengzi (Mencius) e Xunzi. que teriam vivido aproximadamente no século IV-III a.C.. Estes desenvolveram uma grande discussão acerca da natureza do homem e do papel da educação e do governo. O confucionismo se transformou, na época Han, na doutrina oficial do estado imperial, mas com algumas modificações e influências das outras escolas.


Imagem tradicional de Confúcio


Legismo: a escola da Lei (Fa jia) representa a ascensão de uma razão de governo pragmática, dura e violenta. Ela não se dispõe à retornar ao passado ideal, mas a criar um governo forte e centralizador em torno dos príncipes. Semelhante ao que ocorreu na Índia com o Artashastra e na Europa com Maquiavel, os legistas apresentavam uma proposta alternativamente despótica de poder e governo, e foram muitas vezes absorvidos na máquina administrativa, como no caso da dinastia Qin. Seu maior autor teria sido Han fei, que viveu no século III a.C., e organizou o conteúdo dessa escola que separava a política da moral, aliava a prática à uma teoria muito bem planejada e baseava-se em princípios completamente severos e racionais, desprovidos de qualquer sentimentalismo.

Moísmo: algumas décadas depois de Confúcio, um grupo surgiu sobre a égide de Mozi, um retórico religioso que pregava a paz, a igualdade e desprezava a dita “proposta educativa” dos confucionistas, por achar que ela naturalmente excluía os menos providos. Curiosamente, os moístas eram materialistas, utilitaristas e dominavam inúmeras técnicas militares, que utilizavam para defender aqueles que acreditavam ser os “mais fracos”.

Nominalistas: os ditos “sofistas” chineses surgiram mais ou menos na mesma época destas outras escolas, e destacaram-se pelo uso da retórica na discussão de assuntos políticos e jurídicos. Tiveram pouco expoentes no século IV-III a.C., mas alguns dos fragmentos que sobraram revelam um grupo altamente intelectualizado, capaz de elaborar paradoxos complexos, como o que seria escrito na Grécia por Zenão de Eleia, num período próximo, sobre a flecha partida.

Escola dos cinco Elementos: a doutrina dos cinco elementos foi um desdobramento da antiga ciência chinesa, contida em livros como o Neijing e o Ijing. Ela se preocupou em entender as problemáticas científicas como decorrentes de um ciclo natural que envolvia as correntes Yin e Yang e o domínios dos cinco elementos (água, fogo, metal, terra e madeira). Estes ensinamentos encontraram um sucesso enorme na época dos Han, principalmente no campo tecnológico, mas também foram aproveitadas para explicar eventos históricos e sociais.

Essas escolas são a base da estrutura do pensamento chinês, embora devam ser analisadas com cuidado diante das inúmeras alterações que sofreram em suas propostas ou mesmo em seu discurso. No entanto, elas nos fornecem os elementos necessários para compreender a lógica dessa civilização, mesmo em seus períodos mais antigos.

O Império Zhou
A época Zhou denota a formação de uma classe nobre importante dentro da sociedade, interligada ao funcionamento da política, da força militar e da economia. Ela manipulava o funcionamento das práticas administrativas, sociais e religiosas através deste corpo burocrático, criado para executar o poder na extensão do território. Como afirma Aymard, “Tem-se a impressão de que, na época dos Zhou ocidentais, a sociedade ainda não foi submetida a uma hierarquia complicada, como será o caso, à medida que se desenvolver a tendência para a unidade política e a centralização do poder. A sociedade estava dividida em duas grandes classes: embaixo, a plebe camponesa; em cima, a classe patrícia (nobres hereditários). Pouco a pouco, ramificar-se-ão e classificar-se-ão os elementos médios, começando no grau mais baixo com os escravos e trabalhadores rurais, elevando-se progressivamente pelos artesãos e mercadores, letrados e funcionários, ministros e altos funcionários, nobres e príncipes, até o imperador, que domina a pirâmide hierárquica” (Aymard, 1957). Foi, porém, um momento de refinamento e desenvolvimento para a cultura: os Zhou eram apreciadores da música, da literatura e das belas artes. Mantiveram, sem grandes modificações, a organização econômica Shang, implementado a cobrança dos impostos sobre a utilização do território. Novos tipos de produção agrícola foram introduzidos, bem como o artesanato e a manufatura foram estimulados, pela primeira vez, num sentido de exportação: “A invenção tecnológica foi, uma vez mais, tão útil à agricultura quanto era na guerra. Nessa época; foi inventado o arnês de peitoral, ou coelheira, que aumentava a eficiência, seguindo-lhe pouco depois, já no século V d. C., um novo tipo de coelheira rígida. Esses dois tipos de arreios permitiram a um único cavalo fazer o que dois ou até quatro faziam antes, quando o arnês de pescoço ameaçava estrangular o animal se tivesse de deslocar um peso excessivo no tiro. O maior avanço técnico de todos foi a introdução dos processos de fusão e fundição do ferro, mencionados pela primeira vez em 513 a.C. O ferro fundido é encontrado em objetos que datam de 400 a. C., época em que o uso desse minério já entrara em uso bastante generalizado. Um dos primeiros usos conhecidos do ferro na China era como revestimento das bordas cortantes de pás de madeira, e para outros implementos agrícolas como enxadas, facões e foices” (Morton, 1986).

A intelectualidade deveu muito às primeiras épocas Zhou, sobre as quais sabemos pouco, porém. Existem indícios sobre como seriam os primeiros sistemas de pensamento desenvolvidos na época. No entanto, estes foram filtrados e modificados na época das Cem Escolas. No campo religioso, vemos sumir no meio das classes abastadas o politeísmo folclórico, que dá lugar a uma concepção mais abstrata de metafísica, baseada em princípios ecológicos das noções de Céu e Terra, ligadas ao Ser humano. Nos discursos taoístas e confucionistas observamos claramente que os Deuses não aparecem: o Céu, esta entidade sem forma, é que governa os destinos da civilização. Era ele quem gerava o Mandato Celeste, atributo de uma dinastia para realizar a conexão entre o mesmo Céu, a Terra e a Humanidade, gerando a Harmonia universal (Smith, 1969).

O Advento dos Estados Combatentes

O início dos Estados Combatentes é marcado pelo fim da capacidade de arbítrio dos Zhou sobre os problemas internos e a concentração de força em apenas sete principados: Qi, Qin, Chu, Zhao, Han, Yen e Wei. Cada qual, com sua força militar e seu próprio corpo de funcionários, encetou um processo de guerra ininterrupta que culminou com a vitória do melhor organizado (e cruel) Estado Qin, em 221 a.C. O novo soberano decide, após a vitória sobre os Zhou, assumir o título de Primeiro Grande Imperador Amarelo, ou Qin Shi Huang Di, marcando, para a historiografia moderna, a fase do Imperium real na China; "O início do declínio do feudalismo, bem como o movimento no sentido da unidade, é visível no período da Primavera e Outono (770-481 a. C.), nome que recebeu de anais assim chamados. É nesta altura que se verifica o primeiro enfraquecimento do princípio da hereditariedade, sendo a própria casa real dos Zhou a vítima mais visível dessa mudança. O Livro da História dá-nos uma visão clara das circunstâncias de extrema carência em que ficou o Filho do Céu depois de, em 771 a. C., os nobres se terem aliado contra os invasores bárbaros. Apesar de todos os grandes senhores terem declarado a sua lealdade ao trono, o novo rei não pôde deixar de reconhecer a dependência em que ficara da «benevolência de todos, sem a qual a Terra não goza de paz». As ofertas de arcos e flechas que fez aos mais destacados membros da nobreza são sinal duma flagrante falta de força, na medida em que representam o reconhecimento do direito a punir quem desobedecesse a ordens reais. A pouco e pouco, esta devolução de autoridade deixou os reis Zhou com uma função apenas religiosa e um reino empobrecido a rodear Luoyang. Com efeito, os achados arqueológicos mostram o crescimento de centros de poder independentes nas grandes quantidades de bronzes descobertos em diversos pontos da cidade fortificada e nos túmulos sumptuosos, cujas inscrições não se referem já ao monarca Zhou, mas proclamam os nomes dos nobres para os quais foram feitos. Com o declínio das obrigações feudais e a erosão do poder central, os chefes dos estados emergentes lutavam entre si pela conquista de território e competiam para atrair artífices e agricultores. A oeste, os primitivos Qin incentivavam a imigração de estados rivais oferecendo casas e isenção do serviço militar. Um estado de guerra permanente, ora entre os próprios Chineses, ora com os Bárbaros invasores vindos das estepes do Norte, provocou uma redução substancial no número de estados. Segundo o Livro dos Ritos (Liji), existia durante o período da Primeira Dinastia dos Zhou (1027-771 a. C.) um total de 1763 feudos. No princípio do século vii a. C. já só havia 200 territórios feudais; por volta de 500 a. C., esse número tinha caído para menos de 20. Durante o período dos Reinos Combatentes (481-221 a. C.), as lutas intestinas tornaram-se tão ferozes e intensas que só sete estados feudais conseguiam reunir recursos suficientes para fazer a guerra. Impotente, o monarca Zhou, via duas grandes potências, Qin e Chu, ainda incompletamente sinizadas, conquistarem território tirando partido das lutas entre os estados feudais mais antigos. Em 221 a. C., a força de Qin foi suficiente para destruir todos os seus rivais e unificar toda a antiga China num só império. Em 256 a. C., o último rei Zhou foi brutalmente expulso do trono pelas tropas de Qin.(Cotterel, 1987)

O arcabouço gerado pelos Zhou foi a base sobre o qual os Qin pensaram uma nova estrutura de governo. Influenciados pela escola legista e, temerosos de criarem um sistema político falho, os Qin promoveram uma proposta centralizadora e unificante, pautada numa lei rígida, que eficazmente colocou este principado na ponta pela corrida do poder. Souberam aproveitar as experiências negativas da intelectualidade Zhou em resgatar o passado e elaboraram um projeto novo de governo, naquela época contestado por suas características novas e desvirtuado das antigas tradições. No entanto, o pragmatismo dessas propostas de criação de um novo império vingou, gerando uma estrutura política na China que seria milenar.